Resumo

O futebol no Brasil ultrapassa a barreira esportiva, constituindo-se como um fenômeno cultural e assumindo um papel de grande importância na formação de identidades e memórias. Durante a ditadura militar brasileira, especialmente no governo Médici, o esporte foi utilizado como um instrumento estratégico na construção de uma imagem otimista do regime (Fico, 1997). A realização da Taça Independência em 1972, evento de celebração pelos 150 anos da independência do Brasil, simboliza como o regime utilizou o futebol para reforçar sua legitimidade política, vinculando o grande momento da Seleção brasileira aos “anos de ouro” do milagre econômico no governo Médici (Rei, 2020). O torneio foi organizado pelo governo ditatorial militar e pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), a Taça Independência, que recebeu o apelido de Minicopa, teve 12 cidades-sedes, reuniu 20 seleções nacionais e foi propagada como a representação da modernização do Brasil sob a autoridade dos militares. O evento teve ampla cobertura da imprensa, sendo televisionado por grandes emissoras como Tupi e Globo, servindo para exibir ao público o país que “vai pra frente”.

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