Resumo

O teste do degrau de seis minutos (TD6M) é amplamente utilizado como método submáximo para avaliar a capacidade funcional em diferentes populações clínicas, especialmente na ausência do teste ergométrico e/ou do teste de esforço cardiopulmonar (TECP). No entanto, o comportamento dos parâmetros cardiorrespiratórios e hemodinâmicos durante o TD6M e o TECP ainda é pouco investigado. Objetivo: Comparar o comportamento dos parâmetros cardiovasculares e respiratórios ao final do TD6M e do TECP em indivíduos hipertensos. Metodologia: Estudo crossover, no qual foram incluídos pacientes hipertensos atendidos no Ambulatório de Cardiologia do Hospital de Clínicas ou no Centro de Saúde da Comunidade, da Unicamp (CAAE: 53572221.1.0000.5404). Os participantes realizaram o TD6M com analisador de gases e o TECP, em dias distintos, com a ordem dos testes randomizada, e intervalado de 4 a 28 dias. Para análise estatística foram realizados os testes de Shapiro-Wilk para avaliar a normalidade dos dados, o teste t de Student ou Mann Whitney para caracterização da amostra e comparação dos deltas, o teste de Levene para análise da homogeneidade e Anova para medidas repetidas para comparações entre os testes. Resultados: A amostra foi composta por 24 participantes, 15 mulheres e 9 homens, com idade média de 54±8 anos e IMC de 28±3,8 kg/m2. No repouso, antes do início do teste, não foram observadas diferenças significativas nos parâmetros cardiorrespiratórios e hemodinâmicos nos dias em que os pacientes realizaram o TECP e TD6M. Quando analisamos os parâmetros cardiovasculares no final dos testes, observamos aumento significativo e semelhante para frequência cardíaca (TECP: 79±10 - 142±23bpm vs. TD6M: 74±11 - 136±19bpm; p_intra-teste: <0,001; p_inter-teste: 0,22 e p_interação: 0,79); e pressão arterial sistólica (TECP: 124±12 - 171±23mmHg vs. TD6M: 119±13 - 163±22mmHg p_intra-teste: <0,001; p_inter-teste: 0,31 e p_interação: 0,58). No entanto, a pressão arterial diastólica foi menor no TD6M (TECP: 82±8 - 93±9mmHg vs. TD6M: 77±9 - 84±8mmHg; p_intra-teste: <0,001; p_inter-teste: 0,025 e p_interação: 0,11). Em relação aos parâmetros respiratórios, não observamos diferenças no comportamento do consumo de oxigênio relativo (TECP: 4,0±0,39 - 20±5,2mL/kg/min vs. TD6M: 3,64±0,42 - 21±3,4mL/kg/min; p_intra-teste: <0,001; p_inter-teste: 0,51 e p_interação: 0,22); e na ventilação (TECP: 11±2,4 - 56±16L/min vs. TD6M: 10±2,3 - 51±11L/min; p_intra-teste: <0,001; p_inter-teste: 0,19 e p_interação: 0,32). Além disso, quando avaliamos o delta de variação da frequência cardíaca, pressão arterial sistólica e diastólica, e ventilação não observamos diferenças entre o TECP e o TD6M. No entanto, observamos diferença no delta do consumo de oxigênio relativo (TECP: 16±5,3 mL/kg/min vs.TD6M: 17±3,2 mL/kg/min; p= 0,04). Conclusão: Os resultados mostram que os parâmetros cardiovasculares e respiratórios analisados são semelhantes no TD6M e o TECP em indivíduos hipertensos. Esses achados sugerem que o TD6M pode não ser um teste submáximo.

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