Resumo

No Brasil, as relações de trabalho são marcadas pelo racismo estrutural
19 de janeiro de 2026

Há algo de profundamente errado numa sociedade que precisa convencer seus membros de que o sofrimento cotidiano é virtude. Paul Lafargue percebeu isso ainda no século XIX, quando escreveu O Direito à Preguiça. Seu alvo não era apenas o capital ou a fábrica, mas algo mais profundo e duradouro. Lafargue denunciou a moral do trabalho, transformada em dogma civilizatório pela burguesia parasitária. 

Historicamente, o capitalismo organizou a vida social a partir do tempo produtivo, ou seja, o tempo do trabalho. O tempo livre surge como seu negativo, aquilo que resta após a jornada laboral, mesmo que extenuante. Nas últimas décadas, entretanto, com a intensificação da financeirização, da uberização e das formas flexíveis e informais de trabalho, essa fronteira tornou-se cada vez mais tênue. O trabalho invade o tempo da vida, coloniza o descanso e transforma o cotidiano em permanente disponibilidade para o trabalho precarizado e sem direitos.

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