Resumo
O presente estudo teve como objetivo investigar a influência da modalidade de prática – física, mental, ou uma combinação delas – na transferência interlateral de aprendizagem de uma habilidade motora global. Participaram do estudo 19 estudantes universitários e um técnico de laboratório, com idades variando entre 19 e 30 anos. A tarefa utilizada foi a "estrela" da ginástica olímpica. Os participantes não tinham qualquer treinamento específico prévio na tarefa e foram divididos aleatoriamente em quatro condições experimentais: grupo de prática física (GPF); grupo de prática mental (GPM); grupo de prática mental/física (GPM/F), que teve prática combinada entre execução física e mental; grupo controle (GC), engajado em um jogo eletrônico. O experimento foi desenvolvido em quatro fases: pré-teste – tentativas para o lado preferido e para o não-preferido; prática – tentativas para o lado preferido; transferência – tentativas para o lado não-preferido; e retenção – tentativas para o lado não-preferido, realizada uma semana após a transferência. As cinco últimas tentativas de cada sessão foram filmadas nos planos frontal e lateral. A avaliação de desempenho foi feita em função de (a) ângulos articulares critério de execução correta nas articulações do cotovelo, ombro, quadril, e joelho; (b) alinhamento do tronco com o eixo vertical; (c) através de um índice global de desempenho. Chegou-se às seguintes conclusões: (1) a combinação entre prática física e prática mental foi tão efetiva quanto a prática exclusivamente física; (2) o efeito da prática foi notado na maioria das análises segmentares, e de forma significante na articulação do quadril; (3) não houve efeito de transferência interlateral de aprendizagem em nenhuma das modalidades de prática envolvendo a realização física da ação , sua imaginação ou uma combinação e ambas. Assim os resultados indicaram que a aprendizagem de habilidades motoras globais, exigindo movimentos bilateralmente coordenados, é específica ao lado praticado