Resumo

Este estudo se iniciou com um levantamento bibliográfico, sobre as concepções a respeito dos distúrbios emocionais, enfocando particularmente às psicoses. Como referencial teórico foram consultados autores como Cooper (1976), Freidson (1987), Santos (1991) e Szasz (1984). Destes autores, se evoluiu para a apresentação do movimento da anti-psiquiatria italiana, promovido por Franco Basaglia (1968). A partir deste referencial teórico, procedeu-se uma investigação do tipo etnográfica em uma instituição educacional da cidade de Curitiba-Pr, cujos alunos são portadores de distúrbios emocionais. Nesta abordagem a pesquisadora manteve contato direto com o cotidiano institucional, realizando aí a coleta de dados, através da observação participante. O propósito inicial era criar um clima amigável junto aos profissionais da instituição, a fim de garantir um maior envolvimento. Além da observação, utilizou-se também questionário para obter alguns dados que não existiam na instituição pesquisada. Os dados coletados, possibilitaram uma descrição da instituição, nos seguintes aspectos: a história, os objetivos e a organização administrativa e pedagógica. Além disto, pode-se descrever a sua atividade cotidiana, as quais, foram divididas em dois grupos: grupo A: atividades específicas para cada turma. Atividades didático-pedagógicas; cuidados pessoais, são as atividades de higiene tais como: pentear o cabelo, escovar os dentes, trocar de roupa, etc.; e Atividades recreacionais: às atividades de lazer. Ex: jogar bola, pintura, etc..., disciplinares são as atividades de contentação, tais como: isolamento, repreensão verbal, contenção física. grupo B: atividades comuns às várias turmas. Atividades de rotina: entrada, refeição, saída; e Atividades festivas, comemorativas. O projeto pedagógico da instituição e suas dificuldades de funcionamento, visa mostrar um pouco da realidade institucional, através da participação em reuniões, encontros informais, etc., foi possível levantar a estes dados. A discussão dos dados levou a conclusão que esta instituição, embora se proponha um retalho alternativo e desinstitucionalizante, na prática não funciona desta forma. De fato institucionaliza seus alunos, cerceia sua liberdade, tornando-se uma ante-sala do hospital psiquiátrico. Daí se pode questionar como trabalhar a "loucura", sem se tratar o indivíduo de igual para igual. O indivíduo se torna um ser, sem voz, sem escuta, apenas um ser patológico.

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