Integra

Caros amigos do CEV,
Nestas duas semanas em que produzi textos curtos com a intenção de contextualizar uma série de publicações no Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba, percebi que contar a própria história é uma verdadeira viagem, na qual o passado e o presente dialogam o tempo todo.
Mais uma vez, estou dando uma "fugidinha" das colunas do jornal de 1983 e 1984. Desta vez, resolvi voltar ainda mais no tempo: não só para a década anterior (como fiz no texto passado), mas para a década antes dessa!
O que me motivou nessa viagem foi uma frase que usei na semana passada: "Se a década de 1963 a 1972 me transformou como pessoa (espero poder fazer aqui alguns relatos dessa época), a década seguinte foi decisiva para o meu futuro profissional."
Essa "transformação como pessoa", na verdade, começou até um pouco antes — lá pelo final dos anos 1950, eu diria —, numa construção não intencional de um "currículo oculto" do lazer. (Em outra oportunidade, voltarei a falar sobre esse tema, especialmente em relação ao lazer dos homens e mulheres da terceira idade hoje em dia).
No meu caso, sou fruto de avós imigrantes da Itália e de pais de vida simples e muito batalhadora (meu pai foi barbeiro por mais de 40 anos, e minha mãe, costureira a vida toda). Tive uma irmã oito anos mais velha e inteligentíssima, que "sofreu" um bocado com a chegada do il primogenito maschio della famiglia...
Apesar da vida simples, meu pai adorava tocar violino e minha mãe era apaixonada pelo piano.
Acho que, na tentativa de ter em casa uma criança um pouco mais suportável, antes dos 10 anos eu já fazia aulas de pintura a óleo e guache com a Dona Edila Valle. Ganhei uma minibateria — que eu tocava muito bem! —, e minha primeira medalha de campeão foi nos Jogos dos Parques Infantis... no pingue-pongue!
Nunca vou me esquecer do momento do desfile nas ruas de Sorocaba: eu todo de branco, com uma raquete de pingue-pongue na mão e uma bolinha colada nela...
Tentei aprender piano em três ocasiões diferentes e, para a frustração da minha mãe, desisti nas três, trocando o piano pelo violão. Com ele sim, eu me sentia muito à vontade! Sob a "batuta" do meu professor, o extraordinário "Zé Bastante", fui aprendendo os novos acordes dissonantes que chegavam com a Bossa Nova.
E acreditem: anos depois, lá pelos meus 17 ou 18 anos, durante meu intercâmbio de um ano nos Estados Unidos cursando o High School, participei de um "Show de Talentos". Fiquei em segundo lugar cantando e tocando "Garota de Ipanema" (em inglês!), o que me rendeu um prêmio de 12 dólares!
Mas, voltando à década de 1963-1972, a grande virada da minha vida foi quando me tornei membro da Associação Cristã de Moços (ACM).
Lá, aprendi e joguei de tudo quanto é esporte. E foi lá também que me tornei, creio eu, um ser humano por inteiro.
Mas chega de histórias por hoje!
Semana que vem, além desse "currículo oculto" do lazer, vou contar como a gestão entrou tão cedo na minha vida.
Tenham paciência comigo