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Nos anos 90, consolidou-se a área acadêmica referida como “Epidemiologia da Atividade Física”. Os estudos populacionais começavam a mostrar com clareza as evidências de que a atividade física habitual (o “processo”) estava fortemente associada à menor incidências de diversas doenças (inclusive certos tipos de câncer) e menor mortalidade por todas as causas. Ou seja, independentemente do nível de aptidão física, ser ativo fisicamente é relevante para a promoção da saúde, aumentando a probabilidade de uma vida mais longa e autônoma.

Em particular, o clássico estudo liderado por Ralph Paffembarger com ex-alunos de Harvard mostrou que as pessoas mais ativas, mesmo em níveis moderados, tinham chances maiores de uma vida mais longa e saudável. O nível de aptidão física continua relevante para o desempenho em atividades esportivas, laborais e no lazer, mas a prática de atividades físicas no dia-a-dia de pessoas, em todas as idades e condições, foi confirmada com um fator do estilo de vida preponderante para a saúde individual e coletiva.

Mexa-se, caminhe mais, levante-se do sofá, suba escadas, dance, pratique esportes, vá à academia, vá ao parque, inclua intervalos ativos em suas rotinas sedentárias... tudo isso passou a ser parte das campanhas de saúde pública, diante das fortes evidências dos estudos populacionais em todos os continentes. A questão que passou a ser investigada exaustivamente foi a da motivação para se incluir a prática de atividades físicas no cotidiano das pessoas. “Sei que é importante, mas não faço”, ouve-se muito. Redução de barreiras (físicas, culturais, sociais, de segurança) e aumento de oportunidades (tempo livre, locais próximos e seguros, companhia, baixo custo, orientação profissional) passaram a ser questões-chave para o sucesso de políticas e programas de promoção de estilos de vida mais ativo. Tudo começa na escola, com a Educação para um estilo de vida saudável!

Programas de sucesso, como o “Active Living” do Canadá, as ações nos países escandinavos e o nosso Agita São Paulo (inciativa do CELAFISCS), indicam o caminho para a efetividade. Todas as ações efetivas passam por medidas multilaterais, baseadas em evidências, e com relevância cultural para a população em questão.

As evidências mais recentes começaram a mostrar que pequenas mudanças em diversos aspectos do estilo de vida individual (não só a atividade física) poderiam ser efetivas para a saúde individual e coletiva.

Grande abraço.

Markus Nahas

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