300 palavras (29). Aptidão para uma vida mais saudável
Integra
Do treinamento de atletas para a prática de exercícios objetivando o desenvolvimento da aptidão física para a vida – essa foi a primeira grande mudança de foco em minha carreira na Educação Física.
O conceito de Aptidão Física Relacionada à Saúde (AFRS), introduzido no início dos anos 80 baseou-se nas evidências acumuladas a partir dos anos 50, quando estudos como o de Morris e colegas em Londres mostraram que trabalhadores mais ativos fisicamente (mais “condicionados”) morriam menos por doenças cardíacas. Nos anos 60, o Instituto Cooper, no Texas, popularizou o “Teste de Cooper” e, mais importante que isso, o “Método” de condicionamento cardiovascular utilizando exercícios aeróbicos – correr, nadar, pedalar por um tempo crescente a cada semana, em ritmo moderado à vigoroso (70 a 90% da capacidade individual). Pesquisas nesse Instituto, lideradas por Kenneth Cooper e Steven Blair, utilizavam testes em esteira para medir o consumo máximo de oxigênio (VO 2 max) e, ao mesmo tempo, determinar o risco cardíaco. Essesindivíduos foram acompanhados por muitos anos e observou-se que o risco de morte era significativamente maior entre aqueles com menor aptidão cardiorrespiratória.
Além da aptidão cardiorrespiratória (resistência aeróbica), foram identificadosoutros aspectos da aptidão física associados ao risco aumentado de diversas doenças (lombalgias, dificuldades de mobilidade e obesidade, por exemplo). O grupo de pesquisadores que lançou as bases da AFRS incluiu, em 1980, quatro componentes: (a) Aptidão Cardiorrespiratória; (b) Força/resistência muscular; (c) Flexibilidade; e (d) Composição Corporal (% de gordura corporal). Uma bateria de testes, critérios de referência para riscos e tabelas normativas com dados populacionais de grupos específicos foram desenvolvidos em anos subsequentes, inclusive no Brasil. Outros fatores foram incluídos nas baterias de teste de AFRS, como equilíbrio e tempo de reação (para idosos).
Foi a era de valorização do “produto” (aptidão física), e as evidências pareciam indicar que praticar exercícios somente seria relevante para a saúde se melhorasse os indicadores de aptidão física. Portanto, os exercícios deveriam ser “vigorosos”!
Os anos 90 mostraram que o “processo” (ser ativo) é também relevante, mesmo que não seja suficiente para mudar as medidas da aptidão física!
Grande abraço.
Markus Nahas