Resumo

Este estudo se propõe a investigar a história da compra e edificação do Estádio Mário Pessoa, um processo que teve início durante o governo de Eusínio Gaston Lavigne (1930-1937) ao adquirir o campo do Satélite pela prefeitura dando lugar ao estádio Mário Pessoa, concluído no final do mandato do prefeito que dá nome ao estádio (1938- 1942). Com base em fontes primárias dos jornais da década de 1930 e 1940 (Diário Oficial de Ilhéus e Diário da Tarde), bem como nos planos diretores de 1933 e 1937, é possível observar influências externas, como o movimento higienista, que a partir do final do século XIX, causou mudanças nos aspectos visuais e funcionais da cidade. Além disso, destaca-se a busca da modernização pela citadina para atender às novas necessidades surgidas com o rápido crescimento da cacauicultura e sua importância econômica e cultural, bem como a procura por equiparação da sociedade ilheense, especialmente da elite, a um modelo europeu de civilização. Não é coincidência que, com o destaque mundial do movimento modernista da escola carioca no Brasil, Ilhéus se enquadrasse nesse cenário, onde a elite poderia vislumbrar tudo o que uma cidade capital como o Rio de Janeiro, ou até mesmo Salvador, poderia oferecer na época, como espaços públicos para atividades de lazer e acesso à educação formal, mesmo em uma urbe do interior no decênio de 1930. Dessa forma, foi proposto um concurso que selecionou o projeto de dois arquitetos para a construção de um complexo educacional e esportivo – Ginásio Municipal de Ensino, atual Instituto Municipal de Ensino Eusínio Gaston Lavigne e o Estádio Mário Pessoa com pista de atletismo, campo de futebol e duas quadras. Apesar da influência da escola carioca, o complexo educacional e esportivo teve sua planta desenhada por um arquiteto alemão que estudou na Bauhaus, trazendo consigo uma bagagem com grande repercussão no movimento modernista do Rio de Janeiro em colaboração com o escultor Lelio Landucci, originando uma nova tendência em Ilhéus.

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