Resumo
O Jiu-Jitsu, como arte suave, mais recentemente tem se preocupado e se dedicado à participação das mulheres. Deste modo, esta pesquisa investigou a experiência vivida e corporal de lutadoras de jiu-jitsu, revelando os significados contidos nas recorrências e atravessamentos de 6 entrevistadas experientes na arte suave, dialogando especialmente com a Filosofia do Esporte. Valendo-se de pesquisa qualitativa, fenomenológica e imaginário, as entrevistadas foram encorajadas a descrever sobre suas percepções no Jiu-jitsu e sobre sua experiência estética com o fenômeno. A pesquisa também desenvolve uma investigação descritiva minuciosa, levando em consideração as gestualidades, entonações e emoções presentes no diálogo com a entrevistadora, que por sua vez, traz para o trabalho sua experiência pessoal de faixa preta com 34 anos de prática no jiu-jitsu. Assim, à luz desta metodologia, busca-se trazer um olhar detalhado sobre traços particulares e significativos do uso do corpo no entrecruzamento com os depoimentos. Segundo Saura e Zimmermann (2021), quando coletivizamos nossas percepções, encontramos atravessamentos e subjetividades expandidas. Assim,as análises buscam estes atravessamentos e recorrências, perseguindo unidades de sentido mais amplas e colocando em diálogo o imaginário individual com o imaginário social mais amplo do Jiu Jitsu. de braços dados com a fenomenologia merleau-pontyana (2018) e bachelardiana (2008). Observou-se que as lutadoras entrevistadas acumulam sacrifícios e esforços, mas ainda assim, o jiu-jitsu provoca uma magia, uma experiência de aprofundamento na relação com a prática e com o próprio corpo, que as fizeram permanecer na arte suave. Os relatos versam sobre como adquiriram uma percepção corpórea mais refinada, tanto nos próprios movimentos, quanto das pessoas com quem treinam. Neste estudo, o corpo feminino revela-se como uma fonte de experiências significativas que lida com desafios e sentimentos; e a modalidade, fonte de empoderamento que aumenta com a consciência do corpo, de seus limites e possibilidades. O jiu jitsu organizou os espaços e as escolhas da vida destas mulheres, transformou as casas e o dia-a-dia das praticantes, impactando na sua forma de viver, de se vestir e de priorizar momentos de treino e intercâmbio de conhecimentos. A prática da arte suave fomenta os laços sociais, muitas vezes rompendo barreiras, ensinando a empatia e a humildade. Por fim, a modalidade despertou nas entrevistadas a conscientização sobre a importância da representatividade, uma vez que mulheres estão desbravando espaços que ainda são de predominância masculina, e se sentem valorizadas ao verem-se representadas.Esta pesquisa pretende contribuir com a área tanto da Educação Física e do Esporte quanto com a área da Educação e do Lazer, na medida em que busca desvendar as motivações e fascínios - mas também barreiras - no envolvimento das praticantes com o tatame, o kimono e sua faixa, e de um modo mais amplo, com um esporte que sempre tem algo a ensinar e dizer