Contribuições de uma filosofia afrocentrada para a filosofia do esporte
Por Valéria Couto da Silva (Autor), Soraia Chung Saura (Autor), Ana Cristina Zimmermann (Autor).
Em ATHLETICA - Revista de Filosofia do Desporto v. 1, n 2, 2025.
Resumo
Este capítulo explora as possibilidades de pensar o corpo e as práticas corporais a partir do entrelaçamento entre uma filosofia da ancestralidade e a noção de afrocentricidade. A filosofia da ancestralidade é proposta por Eduardo David de Oliveira (2012) como filosofia Africana, e a afrocentricidade ganha destaque na filosofia de Molefi Kete Asante (1980). O texto inicialmente apresenta questões acerca das relações entre o esporte moderno e os processos de colonização, considerando algumas problematizações a partir do futebol. Em seguida, temas da ancestralidade e da afrocentricidade, filosoficamente situados, buscam evidenciar a noção de corpo presente neste referencial e possíveis contribuições para as reflexões da filosofia do esporte. A primordialidade do corpo tem papel central nas cosmologias africanas, de tal sorte que é corporalmente, em jogos e danças por exemplo, que se preservam os sistemas de pensamento. Centralizar o corpo no debate epistêmico, para além de uma crítica ao paradigma eurocentrado, configura- -se como uma proposta de filosofia decolonial. As reflexões expõem uma ética que revela a potência filosófica deste referencial. Trata-se de uma filosofia que ultrapassa conceitos, na direção de uma ética comunitarista. Desta forma, não se coloca como contraponto ao eurocentrismo, por que não se pretende hegemônico. Tal perspectiva amplia as possibilidades de compreensão da força do fenômeno esportivo em diferentes contextos.