Resumo

Este ensaio desenvolve uma reflexão teórico-pedagógica sobre a dança do samba como ferramenta de letramento racial nas aulas de Educação Física dos anos iniciais. Articulando a Educação Física Cultural, o letramento racial e o corpo consciente, categoria desenvolvida por uma das autoras em diálogo com Paulo Freire, o texto compreende o samba como epistemologia viva, forma de produção de conhecimento, memória e resistência afro-brasileira historicamente apagada do currículo escolar. Apresenta-se uma proposta original de planejamento trimestral em que rodas de conversa e vivências de práticas de matriz africana preparam a vivência da dança do samba, tendo como tema gerador sambas-enredo inspirados em obras de autoras negras. Três eixos reflexivos sintetizam a proposta: o samba como patrimônio vivido, o letramento racial em movimento e o corpo como território político. Defende-se que ensinar o samba como produção cultural constitui ato de descolonização curricular e contribui para a efetivação da Lei nº 10.639/2003.

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