Dados abertos sobre violência armada: uma produção no âmbito da educação (física)
Por Leonardo Carmo Santos (Autor), Silvio de Cassio Costa Telles (Autor).
Em Revista Intercontinental de Gestão Desportiva v. 16, n 1, 2026.
Resumo
Há uma lacuna entre estudos de dados abertos em violência armada na educação e a capacidade deles cumprirem papéis efetivos no cotidiano de unidades escolares. As evidências nesses trabalhos não alimentam mudanças práticas nas escolas porquê, apesar de direcionados à Educação, são produtos genéricos, cujos resultados versam sobre realidades meso e macrogeográficas, levando quem os consulta a realizar inferências ecológicas – inclusive na imprensa. Tal cenário dificulta, tanto o trabalho de gestores da Educação, quanto o de gestores de escolas singulares: os primeiros porque ações direcionadas para uma área demasiado abrangente seriam dispendiosas e fora da alçada da Educação; os segundos seriam desencorajados a agir em função das evidências demonstrarem o bairro que a escola está inserida como “de risco”. No entanto, como seria se pudessem ser produzidos dados abertos sobre a violência armada nas escolas que refletissem a realidade interna? Objetivo: Apresentar, a partir de casos de balas perdidas ocorridos dentro de escolas do Rio de Janeiro, uma maneira de produzir dados com potencial de generalização e capazes de aumentarem as possibilidades de prevenção. Método: Estudo de caso sobre vítimas de balas perdidas dentro de escolas no Rio de Janeiro, cumprindo os protocolos de ética com seres humanos. A amostra é composta pelos casos ocorridos nos últimos 9 anos. Foram entrevistadas ou consultadas vítimas, familiares, testemunhas e informantes. Resultados: Permitiu-se mapear processos de vitimação dentro de escolas e os espaços de Educação Física são críticos. Conclusão: Esta pesquisa produz um conhecimento menos genérico que os atuais estudos oferecem, com possibilidades de prevenção mais específicas, precisas e seguras, permitindo generalizar e atender demandas por segurança, tanto em escolas singulares quanto em nível agregado (meso e macrogeográfico); pais, estudantes, professores e sindicatos também teriam mais ferramentas para reivindicar melhorias.