De Salvador ao Rio De Janeiro - a trajetória inicial de Waldemar Santana no cenário do vale-tudo (1953–1955)
Por João Paulo Silva de Oliveira (Autor), Coriolano P. da Rocha Junior (Autor).
Parte de Mais histórias da educação física no Brasil . páginas 171 - 188
Resumo
Ao longo da primeira metade do século XX, especialmente na transição para a década de 1950, o esporte brasileiro consolidou-se como espaço privilegiado de circulação de valores sociais, debates ideológicos e projetos de construção nacional. Mais do que prática física, o esporte tornou-se instrumento pedagógico, mecanismo de promoção da saúde e campo simbólico onde se cruzavam discursos sobre raça, corpo e identidade. Essa configuração resultou, em grande medida, da influência de modelos europeus de cultura física e da interlocução com políticas de higienização e nacionalização formuladas desde o Estado Novo, revelando a profunda imbricação entre esporte, educação e vida política no país (Priore; Melo, 2009).Nesse panorama, o Rio de Janeiro, então capital federal, desempenhou papel central. A cidade funcionava como polo de intercâmbio cultural e econômico, favorecendo o florescimento de uma cultura esportiva variada, impulsionada tanto pela modernização urbana quanto pela crescente visibilidade dos meios de comunicação (Melo, 2010). Entre as múltiplas práticas que compunham esse cenário, o vale-tudo destacava-se como modalidade híbrida e espetacularizada, reunindo lutadores de diferentes estilos e convertendo combates intermodalidades em atração pública.