O corpo feminino gordo: identidade e linguagem à luz do fenômeno da moda plus size
Por Dayane Ramos Dórea (Autor), Coriolano P. da Rocha Junior (Autor).
Parte de Mais histórias da educação física no Brasil . páginas 103 - 135
Resumo
O corpo tem importância vital desde os tempos mais remotos, visto que ele funciona como ferramenta de comunicação para demarcar fronteiras culturais tanto espaciais, quanto temporais. Assim, o corpo sinaliza grande parte das relações que os sujeitos mantêm com os outros e consigo mesmos, renovando-se e transformando-se constante e incessantemente, de acordo com cada período histórico. Sendo alvo do olhar crítico da moralidade e normalidade, bem como alvo do investimento na padronização para dominação, o corpo também se configura como uma marca registrada de uma organização política e de suas manifestações. A construção histórica do corpo perpassa por diferentes discursos, desde que se tornou foco de observação e objeto de estudo de diversas ciências em distintas perspectivas. Percebido enquanto matriz e suporte de símbolos, sentidos e significados, o corpo figura-se como um campo de estudo rico e complexo se pensado de diversas maneiras através do tempo, da história e das suas particularidades. Os processos de subjetivação do corpo que ressoam em sua investigação são resultantes de um amontoado de transformações ao longo dos séculos, posto ser permeável às marcas das culturas de cada época e de cada sociedade, bem como passível de mudanças, representando um lugar prático e direto de controle e de grande visibilidade social.Os estudos acerca do corpo têm se intensificado de maneira significativa, com debates presentes desde a Grécia antiga, com Platão (2016), ao enaltecer a purificação do corpo à imortalidade da alma; perpassando pelo período medieval, com Santo Agostinho (2017) que, ao se arrepender da vida pecaminosa, defendia a moralidade do corpo como ponto de partida àconversão, redenção e encontro com o divino. Já a modernidade ofertou ao tema um novo olhar a partir das diferentes concepções trazidas nas análises de Descartes (1973) e La Mettrie (apud Rouanet, 2003), que fundamentaram uma discussão sobre o corpo enquanto máquina fragmentada entre pensamento e execução; além de Merleau-Ponty (1999) que tratou o corpo a partir do olhar da fenomenologia, compreendendo-o como instrumento de comunicação com o mundo.