O corpo íntimo: uma relação entre ser e ambiente
Por Eric Sioji Ito (Autor), Soraia Chung Saura (Autor), Ana Cristina Zimmermann (Autor).
Em ATHLETICA - Revista de Filosofia do Desporto v. 1, n 1, 2025.
Resumo
Ao escalar uma montanha, fazer uma trilha, ou simplesmente existir em uma cidade diversas percepções instigam e provocam o nosso imaginário a simbolizar estes ambientes. Tais imaginários são constituintes das identidades do ser e modificam as relações estabelecidas com o mundo. Porém diferentes percepções sobre o mesmo ambiente podem instigar diferentes simbolismos atrelados a este espaço. O corpo é o ponto de ligação entre ser e mundo e a depender das experiências incorporadas neste ser alteramos a relação simbólica. Uma mesma via de escalada pode ser simbolizada como amedrontadora e instigar os imaginários da luta e da batalha ou pode ser percebida como tranquila e acolhedora e instigar as imagens de proteção, por exemplo. O objetivo deste trabalho é desenvolver uma reflexão a respeito da noção de corpo íntimo, que visa complexificar as variantes existentes neste processo de simbolização dos ambientes a partir de um cruzamento de perspectivas teóricas. De um lado, dialogamos com Gaston Bachelard (1978, 2001, 2013a, 2013b, 2018, 2019) e Gilbert Durand (2012, 2014), expoentes pesquisadores da linha do imaginário, porém que mantém suas análises nos materiais verbo-icônicos da humanidade e pouco estruturam a relação do corpo com o imaginário. De outro lado, Merleau-Ponty (2011, 2017), com suas noções de corpo-próprio, fé perceptiva e textura imaginária do real permitem expandir e aprimorar as noções desenvolvidas pelos outros autores. Utilizaremos como ponto de apoio para discussões os dados obtidos das entrevistas de pesquisa de campo realizada em 2019 nas montanhas da Patagônia Chilena e Argentina.