Questões de violência e programa de atividade física para idosos numa comunidade da zona oeste
Por Carlos Felipe Cunha Paula (Autor), Igor Araujo da Silva (Autor), Marcelle Cabral Volpasso (Autor).
Em Revista Intercontinental de Gestão Desportiva v. 15, n 3, 2025.
Resumo
A Comunidade do Rollas, localizada no bairro de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, tem uma história marcada por disputas de terra, violência e marginalização. A origem do nome vem de José Maria Rolas, um grileiro que se apossou de terras na região com documentos falsificados no início do século XX. Em 1967, o governo municipal realizou um movimento de urbanização, conhecido como “Bota Abaixo”, que expulsou moradores das áreas centrais da cidade. As famílias deslocadas acabaram se estabelecendo em terrenos abandonados em Santa Cruz, criando a comunidade. Porém, essa ocupação foi contestada por Rolas, que, com o apoio da polícia, tentou remover as famílias à força, resultando em confrontos violentos, incêndios em plantações e até mortes. A comunidade viveu uma luta constante por reconhecimento e direitos básicos, como moradia, água e saneamento. Durante décadas, o Estado se manteve ausente, permitindo a ocupação de facções criminosas e milícias, que se tornaram os principais poderes paralelos na região. Inicialmente, as milícias se apresentavam como combatentes do tráfico de drogas, mas com o tempo passaram a dominar outras atividades ilícitas, como a extorsão de comerciantes e o controle territorial. A violência tornou-se uma rotina para os moradores, com confrontos frequentes e a presença constante de homens armados. No que se refere às políticas públicas, a comunidade sempre foi negligenciada. Projetos sociais esporádicos, como um programa de atividades físicas para idosos, foram implementados, mas muitas vezes com fins eleitoreiros, para angariar votos. Embora o projeto tenha proporcionado benefícios de saúde aos idosos, sua continuidade foi comprometida pela ausência de um plano de longo prazo. A equipe do projeto buscava promover a saúde, especialmente em relação a doenças como hipertensão e diabetes, mas os recursos eram limitados e os impactos temporários. Este estudo qualitativo sobre a Comunidade do Rollas revela como a ausência do Estado e a presença de poderes paralelos perpetuam a marginalização e a violência na região. O trabalho sugere que é essencial que o poder público implemente políticas permanentes de saúde, educação, segurança e infraestrutura para garantir a cidadania plena e a melhoria das condições de vida dos moradores.