Resumo

O skate é uma prática corporal que, em sua origem, se distancia do conceito estrito de esporte e dialoga intensamente com a arte. Essa aproximação se deve à ênfase no elemento criativo na relação com o ambiente e na elaboração de manobras e truques. Este trabalho tem como objetivo estabelecer uma conexão entre os aspectos éticos e estéticos do skate a partir do diálogo estabelecido entre os skatistas, os equipamentos e o meio ambiente. No início da era do skate a criatividade acontecia na criação de novas manobras e formas de interação do corpo com o equipamento. Atualmente o repertório de truques é extenso, mas a interação com o ambiente ainda proporciona um rico horizonte de novas possibilidades. Alguns skatistas se consideram artistas pelo apreço técnico e pela complexidade na execução de manobras e interações com o ambiente. O skatista vê uma beleza técnica e complexa por trás da beleza visual plástica. As manobras chamam a atenção e surpreendem não só os praticantes, mas também os espectadores. Isso acontece rompendo o padrão do que está no chão, lembrando o elemento terra, e passando para o elemento ar, de forma inesperada e incompreensível para o espectador. Assim, a noção de beleza associada ao andar de skate bem executado se desenvolve a partir do repertório de técnicas e da adaptabilidade ao ambiente. Nas diversas modalidades de skate – do street ao freestyle, do longboard aos halfpipes e bowls – a valorização se dá de forma ampla considerando como o skatista se conecta com o equipamento e o utiliza como uma extensão de si mesmo na relação com o meio ambiente. As interações desse relacionamento com o ambiente circundante destacam a conectividade que deve ser observada com atenção.

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