Variáveis posturais angulares avaliadas pela fotogrametria no plano sagital: revisão sistemática com metanálise dos estudos realizados com crianças e adolescentes
Por Anna Beatryz Matias de Sá (Autor), Davy Clementino de Vasconcelos (Autor), Maria Fernanda Silva Torres Teles (Autor), Cláudia Tarragô Candotti (Autor), Emanuelle Francine Detogni Schmit (Autor).
Resumo
Esta revisão sistemática com metanálise, registrada na PROSPERO (CRD42019131055) e conduzida segundo as recomendações MOOSE e PRISMA, objetivou identificar metodologias de avaliação postural por fotogrametria no plano sagital e estabelecer valores normativos para crianças e adolescentes. Buscas (21/11/2024) em seis bases de dados (PubMed, EMBASE, BIREME, SCOPUS, Science Direct, Web of Science) e fontes complementares identificaram 1.235 registros. Dois revisores de forma independente e cega entre si, realizaram a triagem, extração dos dados e avaliação da qualidade metodológica e risco de viés (checklist de Downs & Black). Foram incluídos estudos observacionais com amostra saudável e de faixa etária entre 7 e 17 anos, avaliada por fotogrametria no plano sagital em posição ortostática. Dos 22 estudos incluídos na síntese qualitativa, sete (n=1.012 participantes) foram elegíveis para metanálise. Todos os estudos incluídos apresentaram alta qualidade metodológica. A metanálise revelou baixa heterogeneidade (I²<50%) e permitiu estabelecer valores normativos para: inclinação pélvica (12,4º-14,9º para 7-9 anos; 12,3º-13,6º para 10-14 anos) e alinhamento vertical do tronco (2,1º-2,6º para 10-14 anos). Observou-se maior anteriorização da cabeça e inclinação pélvica em meninas durante o estirão pubertário. O nível de certeza da evidência foi moderado. Como limitação, a diversidade metodológica restringiu as possibilidades de metanálise para algumas variáveis. Conclui-se que a fotogrametria é método válido para avaliação postural nesta população, e os valores normativos estabelecidos oferecem referências clínicas para detecção precoce de desvios posturais.